domingo, 23, junho 2024
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Cultura caipira é celebrada neste domingo (19) com exibição de curta, bate-papo e roda de viola na exposição ‘Nos Braços do Violeiro’

Evento especial no Museu do Folclore será a partir das 15h e integra a programação da 22ª Semana Nacional de Museus

A exposição “Nos Braços do Violeiro”, do desenhista e músico Yuri Garfunkel, com curadoria de João Carlos Villela,  promoverá neste domingo (19), a partir das 15h, um evento especial com exibição de curta-metragem “Xangri-lá – A história de Quinzinho Viola”, dirigido por Mário de Almeida (Maravilha Filmes), bate-papo e roda de viola, no Museu do Folclore, em São José dos Campos. Com entrada gratuita, a programação integra a edição do Museu Vivo na 22ª Semana Nacional de Museus. 

Na mostra “Nos Braços do Violeiro”, o público tem a oportunidade de apreciar as páginas originais da HQ “A Viola Encarnada: Moda de Viola em Quadrinhos”, um romance gráfico inspirado em mais de 80 canções do repertório caipira, com roteiro e artes visuais Yuri Garfunkel. Além do contato com as páginas originais da obra em HQ (história em quadrinhos) e seus esboços, o visitante poderá apreciar violas do músico e luthier Edu Viola (já falecido) e até montar sua própria história em um quadro interativo que também faz parte da exposição.   

Premiada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) 2019 e com introdução escrita pelo violeiro, professor e pesquisador Ivan Vilela, a HQ “A Viola Encarnada: Moda de Viola em Quadrinhos” foi indicada ao prêmio HQ MIX na categoria Melhor Adaptação em 2020. Umas das propostas da exposição, contemplada pelo ProAC Circulação, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado, é promover a interação do público com os processos criativos do artista. 

Exibição do curta “Xangri-lá”

A partir das 15h deste domingo (19) será exibido o curta-metragem “Xangri-lá – A história de Quinzinho Viola” (BRA | 2020 | Doc | 12 min), dirigido por Mário de Almeida, da Maravilha Filmes, com a presença do protagonista Joaquim Inácio Filho. Quinzinho Viola é um poeta e violeiro de São Francisco Xavier, no interior do estado de São Paulo. Criado na zona urbana de Caçapava, sempre procurou estar em contato com a sua identidade caipira, a natureza e as coisas simples. Com cenas documentais e ilustrações animadas feitas por Yuri, que também compôs a trilha sonora, o curta-metragem narra a história de migração de Quinzinho em busca de seu ideal de vida.

Mário de Almeida explica que foi o interesse na temática da viola que proporcionou o encontro com Yuri Garfunkel que resultou em parcerias profissionais unindo os quadrinhos e o audiovisual. “Nosso trabalho tinha semelhança, interesses em comum e diferenças em relação ao foco então eles se complementavam de uma forma muito legal”, afirma.

Ele conta que o filme “Xangri-lá” foi feito a partir de um material de pesquisa utilizado no projeto de longa metragem “Viola Perpétua”. “Eu e o Yuri Garfunkel colocamos a nossa imaginação a serviço do projeto, ouvindo as histórias do Quinzinho que já estavam gravadas, editando essa história, com a ajuda da Carolina Scatolino, que fez a pré-edição do material e me ajudou no roteiro. Yuri fez um trabalho incrível de história em quadrinhos por camadas, que a gente pôde animar depois”, pontua Almeida.

O filme com duração de 12 minutos foi lançado pelo Poiesis -Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura. “O curta rendeu um novo fruto da minha parceria com o Yuri, e que pode ser muito bem o símbolo de uma bela amizade entre o documentário e as histórias em quadrinhos, tendo a viola como um elo. E a viola e a cultura caipira, todo o universo que cerca essa viola mais caipira. É uma honra estar com ele nesse evento para falar dessa produção”, afirma o documentarista. Após a exibição do filme, Yuri Garfunkel comandará um bate-papo com  Mário de Almeida, Joaquim Inácio e o roteirista Rogério Faria. Haverá tradução em libras. Na sequência terá uma roda de viola com participação do músico Lula Fidalgo e convidados.

Universo da música caipira e artes visuais

Garfunkel conta que a ideia inicial da Viola Encarnada era traduzir o universo da música caipira para a linguagem dos quadrinhos e das artes visuais. “Criar um ponto de vista para diálogos contemporâneos com a nossa cultura. A estreia da exposição concretizou essa vontade. Foi um grande encontro de pessoas interessadas em participar desse diálogo e um primeiro passo muito especial para circulação que faremos durante esse ano”, declara Yuri. 

Desta forma, além do contato com os originais da obra e seus esboços originais, o visitante da exposição “Nos Braços do Violeiro” terá acesso à viola física que foi inspirada na viola vermelha de Tião Carreiro e encomendada ao Luiz Armando da luthieria Trevo, exclusivamente para este projeto. Inspirado nesse universo, o público também poderá montar sua própria história em um painel com imãs das imagens da HQ. Oportunidade para soltar a criatividade e fazer parte da mostra.

Para propiciar uma imersão na HQ como um todo, a exposição disponibiliza áudios das mais de 80 músicas do repertório caipira. O material possui recursos de acessibilidade como audiodescrição, textos em braile e em alguns dos encontros promovidos com o público, como rodas de viola e bate-papo, terão tradução em Libras.

Por ser uma exposição multidisciplinar sobre um instrumento singular que marca a nossa história musical, um dos objetivos dos idealizadores é compartilhar o conteúdo com um público diverso, inclusive estudantesuniversitários e grupos de idosos e outros interessados. “Essa é uma exposição que mescla Arte Contemporânea, História em Quadrinhos e Música Caipira, por isso a intenção em cada uma das 6 cidades por onde passaremos é dialogar, trocar e aprender com os agentes locais de cada um desses campos”, explica João Carlos Villela.

“A Viola Encarnada”

Em suas páginas, a obra “A Viola Encarnada’ conduz o leitor para uma viagem sonora afinada e cheia de história, a partir de uma viola avermelhada nas mãos de um violeiro e de um vaqueiro, numa jornada que percorre os sertões até chegar na cidade grande, testemunhando a história da música caipira desde suas origens rurais.  Yuri Garfunkel detalha que a ideia da HQ se formou ao longo de muitos anos ouvindo música caipira. 

De modo geral, e no gênero Moda de Viola principalmente, ele explica que as canções descrevem narrativas tão intensas que muitas músicas inspiraram filmes. “Mas até agora não conheço outra graphic novel feita a partir desse repertório. Entendi que era um trabalho que poucos poderiam pôr em prática, e mergulhei de cabeça. No final de 2017 eu já tinha clara a estrutura do roteiro, fui a uma palestra do Ivan Vilela e me apresentei a ele que se  interessou imediatamente pelo projeto e começamos a trabalhar”, relembra.         

Garfunkel conta que Vilela sugeriu uma que a história fosse além dos temas mais faroeste previstos inicialmente, com muito boi e bala. “Ampliamos o roteiro com a origem da viola, derivada de instrumentos mouros e vinda ao Brasil com as primeiras caravelas portuguesas, e com a construção da Viola Encarnada, protagonista da história. Para isso, busquei ajuda do Luiz Armando da luthieria Trevo, que construiu efetivamente a viola em um mês! O Ivan também sugeriu outro desfecho para a HQ, que termina na cidade grande, completando todo o trajeto percorrido pela música caipira”, comenta Garfunkel.

Programação

A circulação da Exposição ‘Nos Braços do Violeiro’ estreou dia 24 de fevereiro na Casa Lebre, em Bragança Paulista. No Museu do Folclore, em São José dos Campos, a exposição ficará até 25/05. Depois a mostra seguirá para o Centro Cultural Casarão, em Campinas (31/05 a  20/06); ficará de 22/06 a 26/07 no MAGMA (Museu Aberto de Geociências, Mineralogia e Astronomia), em Botucatu; Centro Max Feffer, em Pardinho (27/07 a 25/08) e Instituto Elpídio dos Santos, em São Luís Paraitinga (31/08 a 21/09).

Os idealizadores contam que a proposta de montar a exposição surgiu durante a pandemia de COVID-19. Em outubro de 2021, “Nos Braços do Violeiro” foi apresentada na A7MA Galeria, na Vila Madalena, em São Paulo, com a realização de bate-papo com o curador e convidados como Xênia França, Lucas Cirillo, Shell Osmo e Renato Shimmi e roda de viola com a participação da cantora e violeira Adriana Farias e dos violeiros Gerson Curió e Inimar dos Reis. Em junho de 2022, integrou a Mostra ‘No Braço da Viola’ no Teatro do Sesc Rio Preto. Na ocasião, Yuri Garfunkel apresentou-se ao lado de grandes nomes da viola contemporânea e ministrou oficinas de criação de HQ a partir de modas de viola. 

Ficha Técnica ‘Nos Braços do Violeiro’:

-Yuri Garfunkel: Artista expositor, músico, coordenação geral
– João Carlos Villela: Curadoria e Produção Artística
– Cris Rangel: Produção Executiva
– Lula Fidalgo: Montagem e direção musical
– Ellen B. Fernandes: Assessoria de Imprensa
– Mário de Almeida: Registro Audiovisual
– Rodrigo Camargo: Consultoria Jurídica

Realização: ProAC Editais, Cult SP, Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo

Contato: garfunkelyuri@gmail.com // @yurisopa // facebook.com/yuri.sopa

SERVIÇO:

Exposição “Nos Braços do Violeiro” – Evento especial
Data: 19/05
Horário: 15h

Visitação: Até dia 25/05, de terça a sexta, das 09h às 17h. Aos sábados e domingos, das 14h às 17h
Local: Museu do Folclore (Avenida Olivo Gomes, 100), São José dos Campos
Entrada gratuita

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