segunda-feira, 4, março 2024
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Como a taxa de conclusão pode influenciar o cancelamento de séries pela Netflix

Por um tempo, a Netflix teve a fama de resgatar seriados que outras emissoras cancelaram, mas nos últimos anos, uma nova reputação se formou: a de ‘canceladora’ de obras, mesmo que essas tenham atingido moderado sucesso. Em 2022, programas como Primeira MorteWarrior NunResident EvilSaga WinxO Clube da Meia Noite, entre muitas outras.

2023 mal começou e já contou com o fim de 1899. Todas as séries citadas ocuparam alguma posição do Top 10 da plataforma, mas isso não impediu de serem encerradas prematuramente. Todo mundo já sofreu com alguma história que ficou sem final na plataforma, e naturalmente isso levanta a dúvida: por quê?

Em matéria na Forbes, o jornalista Paul Tassi tentou entender os motivos do serviço para sair cancelando projetos a rodo, e a explicação que encontrou está em um tópico que cada vez mais domina as discussões de seriados da Netflix. Parece que tudo está ligado a uma métrica chamada ‘taxa de conclusão’.

Como qualquer serviço digital, a empresa se apoia em uma série de dados de seus consumidores para tomar decisões estratégicas, mas é certo que algumas métricas pesam mais do que outras. O protagonismo da taxa de conclusão é um tópico que surgiu primeiro nas páginas do blog What’s On Netflix?, que publicou um estudo independente de uma empresa britânica, que tirou uma estimativa da porcentagem de espectadores que assistiam a todos os episódios das séries originais do catálogo.

A partir disso, era possível perceber um certo padrão: a Netflix costuma renovar programas que ultrapassam de 50% de conclusão. Faz sentido pensar que, se grande parte do público terminou de ver tudo, significa que há um grande número de espectadores prontos para assistir a episódios inéditos.

Isso é visível em obras como Heartstopper, que supostamente tem taxa de conclusão de 73% – em termos leigos, grande parte de quem começou a assistir o romance, ficou até o final e viu tudo. Já Resident Evil – que, sim, teve críticas mistas e negativas – foi cancelada com cerca de 43% de taxa de conclusão, ainda que também tenha conquistado espaço no Top 10 de produções mais assistidas da semana.

É bom enfatizar o “supostamente” pelo fato de que nada disso é oficialmente discutido pela plataforma. O mais próximo de uma declaração pela Netflix é uma fala de Ted Sarandos, de 2018. Em entrevista à revista Vulture, o CEO explicou como a empresa decide o que vai e o que fica:

70% da decisão é intuição, e os outros 30% são os dados. Grande parte se dá por palpites informados. Os dados entram para reforçar suas piores noções, ou para apoiar o que você já quer fazer de qualquer forma.

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Com o tempo, a afirmação passou a ser amplamente questionada pelo público, que desconfia dessa tal “intuição” quando seriados são cancelados mesmo após terem conquistado uma vocal base de fãs. E quem ajudou a reforçar a noção de que é a taxa de conclusão que guia a Netflix no momento atual, ao invés de “intuição e dados”, foi Neil Gaiman.

O autor de Sandman esteve profundamente envolvido na adaptação televisiva de suas HQs e também na divulgação. Nas semanas seguintes à estreia, em que a série era aplaudida por fãs e pela crítica, Gaiman abriu o jogo em suas redes sociais: só haveria segunda temporada se o público terminasse de assistir tudo. De preferência, rápido.

No Twitter, o autor reforçou que começar a assistir ao programa não era o suficiente, e sim terminá-lo antes da plataforma bater o martelo:

Sandman é uma série bem cara. Para a Netflix liberar o dinheiro para fazermos outra temporada, precisamos nos sair muito bem. Mesmo que a série tenha ficado no Top 10 de todo o mundo nas últimas duas semanas, talvez isso não seja o suficiente. […] A Netflix está de olho na taxa de conclusão, que não leva em conta as pessoas que estão assistindo a série no seu próprio ritmo.

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No fim das contas, Sandman conseguiu ser renovada para a segunda temporada, mas muitas outras séries não puderam dizer o mesmo – e não por falta de público em si, mas por falta de espectadores consumindo no ritmo que a empresa demanda. A priorização da taxa de conclusão como métrica para decisões já até respinga no público. É só observar, por exemplo, o quão insistente é a comunicação por email da plataforma.

Comece uma série e deixe-a pela metade, seja por vontade de parar ou apenas por querer assistir no seu próprio tempo. Não demora muito para receber emails do serviço, que dizem: “Não se esqueça de terminar sua série!”, tal qual uma mãe que insiste que você deve comer seus legumes no prato antes de ir jogar videogame.

Como tudo que envolve streaming, a discussão é mais complexa e não há respostas fáceis. Há ainda fatores de estratégias, públicos-alvo e, claro, orçamentos e retornos. Seja como for, a tendência está lançada, e muito mais seriados devem surgir e serem cancelados antes de conseguirem mostrar seu potencial.

Resta saber se o público aceitará a pressão para assistir tudo o mais rápido possível, temendo uma morte prematura das séries que gostam, ou se a próxima taxa que a Netflix verá crescer será a de assinantes que abandonaram a plataforma.

Por: jovemnerd.com.br

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